quarta-feira, 23 de outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
A LIBERTAÇÃO DOS PENSAMENTOS
A LIBERTAÇÃO DOS PENSAMENTOS
Mathieu Ricard falou: Temos falado muito da possibilidade de mudança. Como isso acontece no contexto da formação contemplativa? Sabemos que as emoções duram alguns segundos, que os humores duram, digamos, um dia, e que o temperamento é algo que se modela com o passar dos anos. Portanto, se queremos mudar, é obvio que precisamos primeiro agir com relação às emoções, e isso ajudará a modificar nossos humores, que, por fim, se estabilizarão na forma de um temperamento modificado. Em outras palavras, precisamos começar a trabalhar com os acontecimentos instantâneos que ocorrem na mente. Como dizemos, se cuidarmos dos minutos, as horas cuidarão de si mesmas. Como proceder no tocante à experiência direta? O período refratário e tudo isso serão coisas um pouco abstratas para alguém que queira lidar com as emoções imediatamente. Portanto, uma das questões principais tem relação com o modo como ocorre o encadeamento dos pensamentos, o modo de como um pensamento leva ao outro. Meu professor me contou uma história a respeito de um ex-chefe guerreiro do leste do Tibet que abandonou todas as atividades marciais e mundanas, e foi para uma caverna meditar. Passou alguns anos ali. Certo dia um bando de pombos pousou em frente à caverna e ele lhes deu um punhado de grãos. Enquanto observava, porém, os pombos lhe lembraram as legiões de guerreiros que ele tivera sob seu comando, e isso fez lembrar-se das expedições – e ficou irado novamente ao pensar nos antigos inimigos. Essas recordações logo lhe invadiram a mente e ele desceu ao vale, encontrou os antigos companheiros e voltou a guerra! Isso exemplifica como um pequeno pensamento pode tornar-se uma obsessão, como uma minúscula nuvem branca cresce e se transforma numa imensa nuvem escura repleta de raios. Como lidar com isso? Quando falamos em meditação, a palavra usada em tibetano significa, na verdade, “familiarização”.
Precisamos nos familiarizar com um novo modo de lidar com o surgimento dos pensamentos. No início, quando surge um pensamento de ira, desejo ou ciúme, não estamos preparados para ele. Portanto, em poucos segundos, esse pensamento dá origem a um segundo e a um terceiro, e logo nosso panorama mental é invadido por pensamentos que solidificam nossa raiva ou ciúme e, então, é tarde demais. Assim acontece quando uma faísca incendeia uma floresta, e estamos em apuros.
A maneira elementar de intervir chama-se “olhar para trás”, para o pensamento. Quando surge um pensamento, precisamos observá-lo e observar sua fonte. Precisamos investigar a natureza desse pensamento que parece tão sólido. Ao encará-lo, sua solidez tão óbvia se derrete e o pensamento se extingue sem dar origem a um encadeamento de pensamentos. A questão não é tentar bloquear o surgimento de pensamentos – isso nem é mesmo possível – mas não deixá-lo invadir nossa mente. Precisamos fazê-lo diversas vezes porque não estamos acostumados a lidar com os pensamentos dessa maneira.
Precisamos nos familiarizar com um novo modo de lidar com o surgimento dos pensamentos. No início, quando surge um pensamento de ira, desejo ou ciúme, não estamos preparados para ele. Portanto, em poucos segundos, esse pensamento dá origem a um segundo e a um terceiro, e logo nosso panorama mental é invadido por pensamentos que solidificam nossa raiva ou ciúme e, então, é tarde demais. Assim acontece quando uma faísca incendeia uma floresta, e estamos em apuros.
A maneira elementar de intervir chama-se “olhar para trás”, para o pensamento. Quando surge um pensamento, precisamos observá-lo e observar sua fonte. Precisamos investigar a natureza desse pensamento que parece tão sólido. Ao encará-lo, sua solidez tão óbvia se derrete e o pensamento se extingue sem dar origem a um encadeamento de pensamentos. A questão não é tentar bloquear o surgimento de pensamentos – isso nem é mesmo possível – mas não deixá-lo invadir nossa mente. Precisamos fazê-lo diversas vezes porque não estamos acostumados a lidar com os pensamentos dessa maneira.
Somos iguais a uma folha de papel que ficou muito tempo enrolada. Quando tentamos abri-la sobre a mesa, ela se enrola de novo no instante em que erguemos as mãos. É assim que se realiza o treinamento. Talvez haja quem pergunte o que as pessoas fazem nos retiros, passando oito horas por dia sentados. Fazem exatamente isso: familiarizam-se com um novo modo de lidar com o surgimento dos pensamentos. Quando começamos a nos acostumar com o reconhecimento dos pensamentos é como se fôssemos capazes de identificar rapidamente numa multidão alguém que conhecemos. Quando surge um pensamento potente de forte atração ou raiva sabemos que vai levar a uma proliferação de pensamentos, passamos a reconhecê-lo: “Ah, lá vem essa idéia!”. Esse é o primeiro passo. Ajuda muito a evitar que tal pensamento o domine. Depois de se acostumar com isso, o processo de lidar com os pensamentos se torna mais natural. Não é preciso lutar e aplicar antídotos específicos a cada pensamento negativo, porque sabemos como deixá-lo se esvaecer sem deixar vestígios. Os pensamentos se desamarram. O exemplo dado é o de uma cobra. Se ela é der um nó no corpo, consegue desfazer esse nó sem esforço, sem precisar de nenhuma ajuda externa. Por fim, haverá uma época em que os pensamentos chegarão e partirão como um pássaro que passa pelo céu, sem deixar vestígios.
Outro exemplo dado é o do ladrão que entra numa casa vazia. O proprietário não tem nada a perder e o ladrão não tem nada a ganhar. É uma experiência de liberdade. Não nos tornamos simplesmente apáticos, como vegetais, mas passamos a dominar os pensamentos. Eles não nos carregam mais pelas rédeas. Isso só pode acontecer por intermédio de treinamento constante e experiência genuína. Também é assim que podemos, aos poucos, adquirir certas qualidades que passarão a integrar nossa natureza, tornam-se um novo temperamento.
Vejamos com exemplo relativo à compaixão. No século XIX, viveu um grande eremita chamado Patrul Rinpoche. Certa feita ele disse a um dos discípulos que fosse para uma caverna e passasse seis meses meditando, não pensando em nada além da compaixão. No início, o sentimento de compaixão por todos seres é sempre forçado, artificial. Depois, gradualmente, a mente fica inundada de compaixão; ela permanece na mente sem esforço. Passados os seis meses, o meditador estava sentado à entrada da caverna e viu um cavaleiro solitário cantando no vale. O yogui teve uma espécie de premonição clara, uma sensação forte, de que o homem morreria em uma semana. A diferença entre a visão daquele homem cantando alegremente e a súbita intuição do yogue o deixara tristíssimo com relação à existência condicionada, que os budhas chamam de samsara. Nesse momento, sua mente foi invadida por uma compaixão genuína e avassaladora que nunca mais partiu. Passara a fazer parte de sua natureza, o verdadeiro sentido da meditação. Ver o homem foi uma espécie de acionamento do gatilho, mas o essencial aconteceu antes da familiarização. O incidente não teria tido a mesma repercussão se ele não tivesse passado os seis meses imerso em compaixão. Estamos falando de como ajudar a sociedade. Se pretendemos contribuir com algo para a sociedade ter uma nova idéia das coisas, precisamos começar com nós mesmos. Precisamos decidir nos transformar, e isso só acontece com o treinamento, e não por meio de idéias fugazes. É essa a contribuição que pode provir da prática budista.
Durante toda a palestra de Matthieu, o Dalai Lama se inclinava para frente, atento. Depois, tirou os óculos e, em tom sincero, disse: “Muito bem, maravilhoso!”
Do livro: Como Lidar Com Emoções Destrutivas
Dalai Lama & Daniel Goleman
Dalai Lama & Daniel Goleman
fonte: BUDAVIRTUAL ÀS 1 DE SETEMBRO DE 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
A causa da derrota...
Quer queiramos ou não, a adversidade faz parte da vida. Superar as adversidades é um dos maiores obstáculos que enfrentamos. Os problemas, sejam grandes ou pequenos apresentam-se a nós durante toda a nossa existência. Independentemente de quão animado, inteligente, ou contente estejamos no momento, independentemente de a vida nos correr às mil maravilhas, inesperadamente todos nós algumas vezes somos confrontados com problemas, lutas, desafios, dificuldades. É como se fossemos postos à prova, para vermos de que fibra somos feitos, como é que conseguimos enfrentar algumas situações catastróficas e angustiantes. Não pretendo passar a mensagem que quanto mais adversidade melhor, nem sou apologista de que o sofrimento é algo de bom. Não, o sofrimento incapacitante não é benéfico. Ainda assim, não invalida que pensamos nele como uma realidade que acontece na vida de cada um de nós, certamente em número e intensidade diferentes de pessoa para pessoa. Quando acontece, aceitá-lo é uma parte da estratégia para nos livrarmos de mais sofrimento. Aceitá-lo pode constituir uma forma de nos reestruturarmos e seguirmos em frente.
Conforme Havelock Ellis escreveu: “A dor e a morte são parte da vida. Rejeitá-las é rejeitar a própria vida.”
Na verdade, graças a Deus pela adversidade! Aprender a lidar e superar as adversidades, é o que nos faz ser quem somos. Cada desafio, a cada dificuldade que enfrentamos com êxito na vida serve para fortalecer a nossa força de vontade, confiança e capacidade de vencer os obstáculos futuros.
Heródoto, filósofo grego, disse: “A adversidade tem o efeito de atrair a força e as qualidades de um homem que as teria adormecido na sua ausência.”
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Apego é o oposto do amor...
O amor verdadeiro é aquele que é livre de apegos, ser desapegado não significa amar menos e sim não estar centrado no amor por nós mesmos nos escondendo no amor que dizemos sentir pelo outro. O amor real é a alegria de compartilhar da vida daqueles que estão a nossa volta, seja eles seus amigos, familiares, esposa ou marido.
Ama-se o outro pelo que ele/ela é e não através da lente distorcida do egocentrismo, em vez de se apegar temos que ter em mente a felicidade da outra pessoa e não a propria, em vez de esperar gratificações podemos receber o amor reciproco da outra pessoa com alegria.
Matthieu Ricard
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
Meditação faz mágica em pacientes
Meditação faz mágica em pacientes
Os retratos clicados pelo fotógrafo americano Peter Seidler destacaram-se nas redes sociais ao exibir a transformação promovida pela meditação
/Peter Seidler
Fotógrafo registra antes e depois da meditação: burburinho em torno das imagens suscitou curiosidade a respeito da iniciativa e de seu idealizador
Palavras, aqui, seriam insuficientes para expressar o que o fotógrafo americano Peter Seidler, que vive uma parte do ano nos Estados Unidos e a outra na Tailândia, conseguiu transmitir por meio da série de retratos intitulada Before and After, fragmento do projeto Contemplatives, exploração visual dos efeitos fisiológicos produzidos pelo treino mental.
A gritante diferença estampada no semblante das pessoas antes e depois de participar de um retiro de um mês de meditação shamatha (atenção plena), conhecido pelo nome de dathun, está correndo as redes sociais desde o ano passado.
O burburinho em torno das imagens suscitou nossa curiosidade a respeito da iniciativa e de seu idealizador. Descobrimos que Peter Seidler medita há mais de 25 anos e também atua como coach.
“Procuro levar a meus clientes os insights que surgem durante minha prática meditativa, ajudando-os a reconhecer seu brilho intrínseco, sua criatividade inata e sua totalidade”, diz.
Certa vez, ele conta, emergiu a pergunta: “Quais são as mudanças observáveis após um período de meditação intensa?” Nada como um retiro de fôlego para gerar respostas.
Seidler, então, pegou carona no programa oferecido pelo Shambhala Meditation Center, no Colorado, Estados Unidos. A reclusão coletiva se apoiou num cronograma diário de oito horas de meditação, incluindo sessões com atividades em movimento e oryoki, vertente meditativa de origem japonesa direcionada para as refeições. Cada participante foi convidado a sentar diante da câmera no primeiro e no último dia do retiro.
“Antes de clicar, pedi que refletissem sobre o que buscavam ali. No final, perguntei o que a jornada havia significado para eles”, revela. As evidências de que algo significativo ocorreu no íntimo de cada um são incontestáveis. Olhar titubeante, cansaço, apatia e tensão deram lugar a pares de olhos acesos, cútis radiante – na face, um misto de suavidade e vigor, um quê de esperança, contentamento, paz de espírito. O lado de dentro moldando o lado de fora.
“Está claro que cada pessoa vivenciou uma importante transformação. Cabe aos espectadores tirar suas próprias conclusões”, desafia o fotógrafo, que deixou bastante gente com vontade de sentir os bálsamos da quietude na própria pele.
Tudo de bom, porém, seria desfrutar de 30 dias de meditação ininterrupta. Mas, se a vida corrida nos impede de ser assim na maioria das vezes, uma pausa de 15 minutos para meditar, duas vezes ao dia, ajuda, e muito, a serenar a mente e a nutrir o corpo de saúde, beleza e luz.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Workshop - Ando Devagar porque já tive pressa
Aprender a gerenciar
o tempo e a desacelerar em tempos de tamanha correria na rotina diária é
assunto de um workshop que será realizado no dia 24 de agosto, sábado com o
título “Ando Devagar porque já tive pressa”. A doença da falta de tempo afeta a
maioria das pessoas e é responsável por muitos problemas na vida social e
também de saúde.
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